quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
VISITA COMENTADA À EXPOSIÇÃO DE FÁTIMA MENDONÇA | CENTRO DE ARTE MANUEL DE BRITO | 24 JAN 16H00 | ALGÉS
Marcações prévias de segunda a sexta, das 10h00 às 13h00 para se.camb@cm-oeiras.pt | Tel. 21 4111402
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
O TEMPO E O MODO, PARA UM RETRATO DA POBREZA EM PORTUGAL
Pavilhão 31
De 16 Janeiro a 27 de Janeiro 2015
http://planogeometrico.com/OTEMPOEOMODO/
| NELSON D AIRES serie EROSAO |
O TEMPO E O MODO é uma proposta de investigação e de criação, através de documentação escrita, impressa, fotográfica e de uma série de novos trabalhos artísticos, sobre a Pobreza em Portugal, sendo o resultado de toda esta pesquisa documental e visual apresentada numa exposição e registada num livro.
projeto de PAULO MENDES e EMÍLIA TAVARES
contribuições de AUGUSTO BRÁZIO, NELSON D’AIRES, PAULO PIMENTA, PEDRO VENTURA e VALTER VINAGRE
investigação de FREDERICO AGÓAS, JOSÉ NEVES e RITA SÁ MARQUES
investigação de FREDERICO AGÓAS, JOSÉ NEVES e RITA SÁ MARQUES
seminário : POLÍTICA, AUSTERIDADE E EMANCIPAÇÃO: A METRÓPOLE EM TEMPOS
DE CRISE
organizado por UNIPOP
com a presença de ANTONIO NEGRI, ANTÓNIO B. GUTERRES, EDUARDO ASCENSÃO, INÊS GALVÃO, JUDITH REVEL, NUNO RODRIGUES, NUNO SERRA e
OTÁVIO RAPOSO
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| JOAO TABARRA_video |
O TEMPO E O MODO,
PARA UM RETRATO DA POBREZA EM PORTUGAL
Indicadores económicos recentes revelam que, em Portugal, pela primeira vez desde a década de 90 do século XX, o nível de pobreza aumentou. Segundo dados recentes avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de pobreza é de 18,7% - afecta mais de dois milhões de pessoas. Segundo o INE, um quarto (24,7%) da população está em risco de pobreza. Olhando para estes segmentos da população, há conclusões inultrapassáveis que ressaltam destes números: os menores de 18 anos, as famílias com filhos a seu cargo e os desempregados são os mais afectados. São grupos sociais frágeis que estão mais expostos, e sobre os quais a iminência das ondas de choque sociais são mais violentas.
A pobreza foi uma das condições sociais que mais foi combatida, em todos os quadrantes políticos dos regimes democráticos, num espírito de solidariedade social mínima visando erradicar a exclusão económica num estado de prosperidade. O denominador comum do discurso e acções políticas, teve um rosto público bem identificado: ‘Estado Social’, que uns defendem como sistema de erradicação das exclusões (económica, social e cultural), e outros rejeitam argumentando com a sua insustentabilidade económica.
O ultraliberalismo e o pós-capitalismo selvagens tornaram de novo a pobreza um assunto presente, em sociedades e países desenvolvidos, duma forma que se torna a cada dia demasiado evidente. De forma abrupta, a pobreza, e por arrastamento a exclusão social, não é um índice que já só interessa aos países sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, mas que grassa na Europa, no nosso quotidiano e em sociedades que julgávamos ao abrigo da mesma.
Esta é, sem dúvida, uma das mais perigosas ameaças à estabilidade social e política com que a Europa e o mundo se defrontam, já que a pobreza tem funcionado, ao longo da história, como um dos principais responsáveis por conjunturas de totalitarismo e de maior injustiça social.
No final dos anos setenta assistimos em Portugal à falência das utopias pós-revolucionárias e à integração europeia que prometeu um país económica e socialmente próximo dos estabilizados padrões europeus. Seguiu-se a desregulação dos apoios da comunidade europeia e a progressão da corrupção num regime de impunidade jurídica e política.
A crise do sistema financeiro internacional, que teve o seu início em 2008, acarretou consequências brutais para as economias europeias mais débeis, arrastando países como a Grécia, Irlanda, Itália, Espanha e Portugal para um retrocesso da qualidade de vida sem igual, uma perda inimaginável há alguns anos atrás. Abruptamente deu-se o regresso a padrões sociais de há vinte ou trinta anos. Os sistemas económicos liberais aproveitam para efectuar uma “purga” nas concessões ou conquistas, conforme o ponto de vista, ao movimento operário. O que levou décadas a materializar perdeu-se num ápice, tendo a crise como escudo protector. Por isso mesmo, o pensamento cultural e artístico deve contribuir para uma reflexão e observação do estado da Pobreza, analisando a sua evolução histórica, de forma a permitir um entendimento esclarecido e crítico da mesma, que seja útil à sociedade e aos cidadãos.
Este projecto tem como principal objectivo contribuir para uma reflexão e visão histórica das formas de pobreza, desde o século XIX até à actualidade, nas suas mais variadas facetas. Julgamos por isso ser fulcral criar um panorama visual e documental da Pobreza na sociedade portuguesa, que compreenda as questões sociológicas, antropológicas, políticas, filosóficas e estéticas, articulando-as num projecto que seja uma reflexão crítica sobre estes problemas.
Esse panorama quer estar fundamentado nas grandes áreas de estudo e pensamento sobre a Pobreza, mas quer também que seja de leitura acessível e clara a todos os cidadãos, constituindo matéria de reflexão pública, assim como um espaço que abra perspectivas de acção e combate à Pobreza, numa proposta clara de pensamento como intervenção.
Emília Tavares e Paulo Mendes, 2014
SOBRE O PROJECTO
O TEMPO E O MODO, baseia-se na revista que foi criada em 1963 e foi editada até 1977.
Tratava-se de uma revista com um pensamento transversal do ponto de vista político – local de discussão e polémicas – formada por católicos progressistas, que foi sofrendo uma viragem política ao longo das décadas, numa relação orgânica com a realidade que havia mudado na sequência dos acontecimentos do 25 de Abril, e onde participaram activistas que viriam a ser futuros governantes, membros do Partido Socialista, católicos e radicais de esquerda.
Na lista de directores e colaboradores estão nomes tão diversos como: António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, Pedro Tamen, Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Vasco Pulido Valente, Jorge Sampaio, Mário Soares, José-Augusto França, Mário Dionísio, Arnaldo Matos, Fernando Pernes, Luís Miguel Cintra ou João César Monteiro, entre muitos outros.
Este projecto reivindica um papel de reflexão e intervenção da cultura na realidade social e política do país. Um pensamento afirmativo, elaborado em parceria entre a palavra e a imagem, recuperando a memória iconográfica e escrita, para pensar um presente precário, que está a deixar marcas indeléveis em várias gerações.
Bibli. Press release da exposição
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
"23 décembre 1888" de Albuquerque Mendes
“...a propósito da infinita tristeza de Van Gogh perante a realidade da vida” (Albuquerque Mendes)
“...23 décembre 1888...”
ou
“…non, je ne couperai pas mon oreille, je veux écouter l’oreiller ce soir…”
(“…não, eu não cortarei a minha orelha, quero escutar o travesseiro hoje à noite…”)
Scène 1 / Cena 1
- "Bonsoir mr. Van Gogh...mais vous ne dites rien? /Bom dia, Sr. Van Gogh, mas…não dizeis nada?”
- ....[aucune réponse] /nenhuma resposta
- "Alors, on répond pas?" /Então, não se responde nada?
- ....[aucune réponse] /nenhuma resposta
- "Voyons...que se passe-t'il" /Vejamos, o que se passa?
- ....[aucune réponse] /nenhuma resposta
(la personne entre dans la chambre et...) / a pessoa entra no quarto e…
- "Ah Bon Dieu, mais vous… êtes blessé!" / Ah, meu Deus, mas vós… estais ferido!
Interlude / Interlúdio
Ouve-se em “surround sound” o seguinte monólogo:
“Il ya a quelque temps, peut-être longtemps, j’ai visité une exposition où les sculptures écoutaient le mur. Elles étaient tranquilles et soumises à soi-même. Elles regardaient n’importe où, l’essentiel était écouter rien. / Algum tempo atrás, talvez há muito tempo, visitei uma exposição onde as esculturas ouviam as paredes. Elas eram tranquilas e submissas a si-mesmas. Olhavam para lugar nenhum, o essencial era não ouvir nada.
L’oreille après l’oeil est le sens supérieur, disait Leonard de Vinci, au sujet des destinées supérieures de l’art. La musique, ainsi que la peinture et la sculpture, rejoignent les compréhensions plus exquises et célèbrent le divin de la création. Ainsi, pendant plusieurs de siècles on a reconnu l’œuvre sublime et/ ou belle dans l’histoire de l’art occidentaux, à travers de l’esthétique.” / A orelha, depois do olho, é sentido superior, por excelência, afirmava Leonardo da Vinci, acerca dos destinos supremos da arte. A música, assim como a pintura e a escultura atingem as compreensões mais requintadas e celebram o divino da criação. Assim, durante vários séculos, reconheceu-se a obra sublime e/ ou bela na história da arte ocidental, mediante a estética.
Scène 2 / Cena 2
Vincent – “Je suis jaloux. On me célèbre et vous parlez de Juan Muñoz? Croyez-vous que je connaisse pas l’art contemporain, que je ne me rends pas aux musées? Que j’ignore l’œuvre d’architecture du musée de Serralves?”
/ Vincent – “Fiquei ciumento. Celebram-me e falais de Juan Muñoz? Acreditais que eu desconheça a arte contemporânea, que não frequento museus? Que ignoro a obra de arquitetura do museu de Serralves?
Voix – “Ne craignez pas. Je me souvenais de l’histoire des sculptures d’oreille…par rapport et hommage à la coupure de la votre…”
/ Voz – “Não vos inquieteis. Lembrei-me da história das esculturas de orelha…por relação e homenagem ao corte da vossa…
Vincent – “Bien à vous, alors!” / Vincent- Bem haja!
Voix -“Ah, bon mr. Vincent! Savez-vous combien de fois Mr. Francis Bacon, le peintre, vous a évoqué, combien de peintures de votre corps lui a prêté, fournie?”
/ Voz – “Ah, estimado Sr.Vincent! Sabeis quantas as vezes que o Sr. Francis Bacon, pintor, vos evocou, quantas pinturas do vosso corpo lhes haveis cedido, fornecido?
Vincent – “À quoi donc?” /Vincent – Mas, o que pretendeis?
Voix – “Vous êtes une inspiration, vous avez eu le courage de sceller toute affaire et prendre la fuite. Votre corps est sinueux comme les lignes et les couleurs qui rouissent le lendemain.”
/Voz – Sois uma inspiração, haveis tido a coragem de fechar todo o assunto e tomar o caminho da fuga. O vosso corpo é sinuoso como as linhas e as cores que fluem para o amanhã.
Vincent – “Vous vous moquez de moi!” /Vincent – Brincais comigo!
Voix – “Il vous a dessiné, de bon matin, prenant le chemin du paysage déjà peint. Il a répété plusieurs fois, presque achevant à vous convaincre.”
/ Voz – Ele desenhou-vos, logo de manhãzinha, a caminho da paisagem já pintada. Repetiu diversas vezes, quase conseguindo convencer-vos.
(…) On n’écoute rien /Não se ouve nada
Voix – “Il vous a peint, pour ainsi rejoindre la voix de soi-même.”
/Voz – Ele pintou-vos para aceder à voz de si próprio.
Vincent – “Je me manque la raison! Est-ce l’oreille absente qui me fuit l’écoute?”
Vincent – Perco a razão. É pela orelha ausente que me foge a escuta?
Interlude / Interlúdio
La Voix, relatif amoureux de la Voix de Cocteau, sent la contrainte de toute cette incompréhension.
A voz, que é parente dileta da Voix de Jean Cocteau, começa a contrariar-se de tanta incompreensão que sente.
Scène 3 / Cena 3
Vincent – “À quoi de bon cette lampe dans la chambre? Pourquoi ont-ils absenté mon lit? Croyez-vous que je dormirai sous le soir étoilé?”[Ele olha em seu redor e faz o círculo. Depois avança no interior do quarto.]
Vincent – Para que serve esta lâmpada no quarto? Porque retiraram a minha cama? Pensam que irei dormir sob o céu estrelado? [Il regarde et fait le rond…comme le soleil. Après il avance vers l’intérieur de la chambre.]
Interlude / Interlúdio
(Voix off très pensive/ Voz off muito pensativa]
Je suis en train de lire quelques phrases que Vincent a écrit quelque temps avant; il me parle beaucoup des maisons où il a habité, ce qu’il attendait serai son avenir. Hélas. /Estou a ler algumas frases soltas que Vincent escreveu, algum tempo atrás. Fala-me muito das casas onde habitou, o que esperava fosse o seu futuro. Enfim.
La Voix regarde par la fenêtre qui est fermée./ A Voz olha pela janela que está fechada. On écoute son récit / Ouve-se a sua narrativa: “J’aimerais bien de causer avec toi plusieurs foi set pendant longtemps à propos de l’art, on devrait s’en occuper plus à ce sujet-là dans nos lettres.” (…) /”Gostaria de conversar demoradamente contigo sobre arte, deveríamos ocupar-nos mais vezes desse assunto nas nossas cartas.”
Scène 4 / Cena 4
Voix en lisant par coeur: “Maintenant je dispose d’une chambre comme je rêvais il y a longtemps, sans coins coupés et sans papier bleu ourlé de vert.” (18 septembre 1874) / Voz lê de cor: Disponho agora dum quarto como ambicionava há tanto tempo, sem
esconsos e papel azul orlado de verde.” (18 setembro 1874)
[Voix regarde Vincent qui s’allonge au long du sol parce qu’il y a pas de chaise. Quand même il léve sa tête pour parler. / Voz olha Vincent que se estendeu no chão pois não há nenhuma cadeira. Ainda assim, ele levanta a cabeça para falar.]
Vincent – “Cette même nuit, j’ai contemplé par la fenêtre de la chambre, les toits des maisons et les cimes de cimes que se décelaient, comme des tâches sombres, dans le ciel nocturne, où étincelait une seule étoile qui me semblait grande, belle et amicale.” (31 mai 1878) /Vincent – « Na mesma noite, contemplei da janela do quarto os telhados das casas e a copa dos ulmeiros que sobressaíam, como manchas escuras, no céu nocturno, em que
cintilava uma única estrela, que me parece grande, bela e amigável. » (31 maio 1878)
Voix – Et, aviez-vous une chambre avec une telle vue ?/
Voz – E, tinha um quarto com uma tal vista, assim ?
Vincent – “La fenêtre de la chambre donne sur un jardin où le vois des pins, peupliers, etc…les arrières de vieilles maisons dont ces gouttières sont recouvertes par des lierres.” (21 janvier 1877)
/ Vincent - A janela do quarto dá para um jardim onde vejo pinheiros, choupos, etc… e as traseiras de casas velhas cujas goteiras estão cobertas de hera.” (21 janeiro 1877)
Voix – Maintenant il y pas de vue sur l’extérieur. Je réussi pas à ouvrir la fenêtre.
/Voz – Agora não há qualquer vista para fora. Não consigo abrir a janela.
Interlude / Interlúdio
Vincent se souvient d’une gravure, par Rembrandt, où on voyait une lumière toujours allumée. Il en parle de ça, dans une de ces lettres à Théo. La légende de la gravure disait: “In medio noctis vim suam lux exterit.” (30 octobre 1877) /Vincent lembra-se de uma gravura de Rembrandt, onde se podia ver uma luz sempre
acesa. A legenda da gravura dizia: “a luz brilha melhor no meio da noite.” (30 outubro 1877)
Scène 5 / Cena 5
Vincent – “Cependant, je me souviens d’avoir écouté le tango un soir dans le musée, Il y avait tant de monde. J’étais seul, seulement un spectateur dans la performance de quelqu’un. Les danseurs s’aimaient et j’ai compris qu’il y avait une célébration quoi que ce soit ."
Vincent – “Todavia, lembro-me, de ter ouvido música de tango, numa noite no museu. Havia tanta gente. Eu estava sozinho, apenas era um espectador na performance de outra pessoa. Os dançarinos amavam-se e compreendi que havia uma qualquer celebração que fosse.
Fin / Fim
Vincent – “Je suis seul, assis en face de l’immense grise de la mer murmurante...je suis seul…seul comme je l’ai toujours été partout, comme je le serai toujours à travers le grand Univers charmeur et décevant…»1*
Vincent – “Estou sozinho, sentado em frente do cinzento imenso do mar murmurante…estou sozinho…sozinho como sempre estive em todo lado, como estarei sempre através do grande Universo sedutor e desilusório…”
[Vincent a eu une nouvelle Vision, pas celle de Hildegard von Bingen ou de son ami Paul Gauguin. Plutôt l’extase de Sainte Thérèse, croit t’-il. /Vincent teve uma nova visão, não a de Hildegarda von Bingen, nem a do seu amigo Paul Gauguin. Antes o êxtase de Santa Teresa, crê ele que sim.]
____________________
1* Isabelle Eberhardt, Lettres et Journaliers, Paris, Actes du Sud, 1987, p.125
La Voix écoute l’oreille coupée de Vincent…qui l’appelle doucement.
A Voz escuta a orelha cortada de Vincent…que a chama docemente.
NB: instruções de leitura:
1. Feche os olhos depois de ler, ou à medida que leia, e visualize.
2. Se pretender aceder aos conteúdos em francês > traduza no google translator...caso
não aprecie a minha tradução livre.
Maria de Fátima Lambert
dezembro 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Inauguração: Daniel Barroca | Sobre a Destruição da Destruição
escritorio avenida 211 - Sexta-feir a 21.11.2014 , 22h
Rascunhos, ficções e apontamentos sobre A Destruição Da Destruição.
Num dos contos do Aleph chamado A busca de Averróis publicado em 1949, Jorge Luis Borges traduziu o título da obra de Averróis, ou Ibn Rushd,Tahāfut al-Tahāfut (séc. XII) por A Destruição da Destruição. Em 1954 é finalmente publicada a primeira versão em inglês do texto de Averróis traduzida por Simon Van Den Bergh cujo título é: The Incoherence of the Incoherence. Na introdução que o próprio Van Den Bergh escreve para esta edição, ele discute os critérios da sua tradução partindo do grande movimento de tradução do pensamento grego para árabe iniciado por Cristãos Sírios e impulsionado pela expansão Islâmica, principalmente entre 750 e 850 d.C.
As traduções e os comentários aos autores gregos escritos por autores de língua árabe, principalmente andaluzes, tiveram uma importância fulcral para os latinos. Ibn Rushd, ou Averróis, foi uma das vias mais sólidas para o mundo cristão medieval europeu ocidental chegar a Aristóteles. Ou seja, para se ler Aristóteles foi necessário ler Averróis e uma das suas principais obras foi o Tahāfut al-Tahāfut que os latinos medievais traduziram para latim como:Destructio Destructionis - A Destruição da Destruição. O que Borges fez em 1949 foi manter o sentido (ou o equívoco) da tradução latina. De algum modo, ele continuou a traçar, tendo talvez mesmo fechado, o círculo que esses velhos tradutores haviam iniciado ao repetir a palavra Destruição.
Um círculo fechado pode ser um ciclo, e a imagem de um ciclo é um círculo em movimento. A Destruição da Destruição da Destruição da Destruição, em espiral até ao infinito.
Para mim, agora, falar da Destruição da Destruição, é pensar sobre o facto de um problema de tradução poder gerar um equívoco histórico que sustente uma elocução tão poderosa como A Destruição da Destruição. É imaginar um ciclo hermético que é a sua própria causalidade. Um movimento precário para uma eternidade poderosa e frágil. Aqui e Agora, há uma festa que acaba e há outra que potencialmente começa sem ninguém saber ainda nem onde nem com quem; e no futuro, estaremos aqui outra vez, neste mesmo lugar que é o lugar onde estamos hoje, e estaremos com o mesmo dilema que é deixarmos o passado sem saber o que será do amanhã. Para os velhos atomistas, tudo colapsa e renasce a cada instante e amanhã é outra vida (que é a mesma ou um desdobramento dela). O que se perde numa tradução, é esse acidente ou equívoco que se inscreve no real e que o tempo sustenta. E assim, materializa-se o espaço para uma posteridade distorcida que por momentos fica como a pura verdade. O que se perde numa tradução pode ser o pilar para uma ética confundida, que se expande na confusão de um tempo sem espaço ou de um espaço sem tempo; é a amplitude de um movimento que atravessa uma paisagem longínqua e que é urgente imaginar; é um território saturado pela violência dos Homens na sua luta pelo domínio do futuro. Obviamente que existem profundas fracturas entre mundos que desaprenderam a traduzir-se. Mas por entre essas fracturas, existem vias de passagem que proporcionam trocas incrivelmente poderosas. O mundo, é um lugar poroso.
Daniel Barroca
in Press release da exposição
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
" Last but not least " - Colectiva de pintura
| António Dacosta - Fonte de Sintra IV, 1982, acrílico sobre tela, 50x61 cm |
Depois das exposições já realizadas este ano de escultura de David Oliveira, de desenho de Cristina Lamas, de Obras Múltiplas e de três artistas moçambicanos - o fotografo Mauro Pinto, o escultor Gonçalo Mabunda e o pintor Celestino Mudaulane,.
A Galeria 111, Porto, apresenta uma exposição em que estão presentes os nomes maiores da pintura portuguesa como Vieira da Silva, João Hogan, Luís Dourdil, António Dacosta, Júlio Resende, Sá Nogueira, António Charrua, Júlio Pomar, Nikias Skapinakis, Bartolomeu, Menez, Paula Rego, Lourdes Castro, Costa Pinheiro, João Vieira, René Bertholo, Álvaro Lapa, Noronha da Costa, Jorge
Martins, António Palolo, Eduardo Batarda, José Escada, António Sena, Joaquim Rodrigo ou
Graça Morais.
Comemora-se este ano o centenário do nascimento de João Hogan, Luís Dourdil e António Dacosta, artistas que expuseram na galeria.
Inauguração: sábado dia 8 de novembro de 2014 às 16H
de 8 de novembro a 31 de dezembro de 2014
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