segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

ÂNGELA FERREIRA | AYRSON HERÁCLITO | EDSON CHAGAS

NOVO BANCO e Museu Coleção Berardo anunciam os artistas selecionados para o NOVO BANCO Photo 2015
Independance ChaCha 2014. LumiarCite¦ü_Angela Ferreira-2200


NOVO BANCO e o Museu Coleção Berardo anunciam os três artistas selecionados para a edição de 2015 do Prémio NOVO BANCO Photo, o mais importante prémio de arte contemporânea realizado em Portugal - Ângela Ferreira (Lisboa), Ayrson Heráclito (Salvador da Baía) e Edson Chagas (Luanda).

O NOVO BANCO mantém, desta forma, a sua aposta de mecenato cultural na área da fotografia, dando continuidade ao formato e ao valor pecuniário do prémio, bem como os pressupostos de internacionalização por via da seleção dos artistas, que podem ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

O critério de seleção dos artistas requer que estes tenham efetuado uma exposição de obras em suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante 2014.

A escolha destes artistas foi da responsabilidade de um júri de seleção representativo do triângulo geográfico referido, composto por Luís Silva (Lisboa), fundador e diretor da Kunsthalle Lissabon; Adriano Pedrosa (São Paulo), diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo; e Bisi Silva (Lagos), fundadora e diretora do Centre for Contemporary Art, em Lagos, que analisaram o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio (2014).

Independance ChaCha , 2014. LumiarCite¦ü_Angela Ferreira
Ângela Ferreira foi nomeada pelo júri «pela sua exposição individual Indépendance Cha Cha, apresentada em 2014 na galeria Lumiar Cité em Lisboa. Esta exposição surge como uma continuação do projeto que a artista desenvolveu para a Bienal de Lubumbashi, justapondo uma forma escultórica reminiscente da arquitetura colonial do centro de Lubumbashi e dois vídeos. Um dos vídeos documenta uma performance, apresentada na bienal, que lida com narrativas de trabalho forçado nas minas daquela zona; o outro mostra a interpretação de Indépendance Cha Cha, um hino emblemático dos movimentos independentistas da África francófona na década de 1960.»

Na opinião do júri, Edson Chagas, no seu trabalho, «usa o contexto urbano de cidades como Luanda, Londres ou Newport como cenário para criar um “arquivo” de objetos banais. O seu interesse centra-se em captar a forma como os objetos abandonados, dispersos pela cidade, oferecem um olhar sobre os hábitos de consumo de um determinado local. Ao fotografar estes objetos, por vezes movendo-os para criar a sua própria composição, o artista cria uma relação entre o objeto e o contexto, entre uma ideia e a realidade. Edson Chagas foi nomeado para o NOVO BANCO Photo 2015 pela exposição Luanda, Encyclopedic City, em representação de Angola na 55.ª Bienal de Veneza (2013), onde conquistou o Leão de Ouro pela melhor participação nacional, bem como pela sua exposição individual na galeria Belfast Exposed Photography (2014), onde apresentou a série em curso Found Not Taken

Found Not Taken, Londres, 2008 ©Edson Chagas

Para o júri, Ayrson Heráclito na sua obra «investiga as ricas relações entre África e o Brasil, explorando as ligações políticas, sociais e culturais entre estes dois territórios, demonstrando um interesse especial na história da escravatura e nas religiões afro-brasileiras, de uma perspetiva privilegiada: Salvador, Bahia, a capital do Brasil africano, onde vive e trabalha. O vídeo e a fotografia são os principais suportes utilizados pelo artista, que também recorre a instalações e outros media. No ano passado, Ayrson Heráclito participou em várias exposições, onde apresentou trabalhos como Segredos Internos (1999-2009) em Do Valongo à Favela (Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro), Múltiplo II em Histórias Mestiças (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo) e o vídeo Barrueco (2004) em Memórias Inapagáveis (VideoBrasil, SESC Pompeia, São Paulo).»

Bori- Oxum_Ayrson Heraclito
Os artistas selecionados apresentarão os seus trabalhos no Museu Coleção Berardo, numa exposição composta por obras inéditas, com inauguração agendada para o dia 17 de junho, sendo o vencedor conhecido durante o mês de setembro, em data a anunciar.

Pedro Lapa, presidente do júri do prémio NOVO BANCO Photo e diretor artístico do Museu Coleção Berardo, salienta que «No curso das últimas edições do prémio foi possível constituir uma rede própria de conhecimento, circulação e premiação de artistas lusófonos. Todos os países envolvidos tiveram contacto com as práticas artísticas no domínio fotográfico dos seus parceiros, que muitas vezes desconheciam. O prémio tem sido, por isso, um relevante contributo para o aprofundamento desta rede lusófona, que importa salvaguardar num mundo cada vez mais globalizado, onde novas articulações se definem. A continuidade e perseverança destes processos é chave para a sua concretização efetiva. A renovada aposta por parte do Novo Banco é um motivo de louvor e grande satisfação para o Museu Coleção Berardo e para todos os que acreditam na sua pertinência.»

Bibli. Press release

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Palmeiras Bravas/The Current Situation de Pedro Barateiro

Inaugura dia 11 de fevereiro, quarta-feira, às 19h00 - Museu Coleção Berardo



The Current Situation (Prologue), 2015. Video still. Cortesia do artista e da  Galeria Filomena Soares.


O Museu Coleção Berardo apresenta a exposição Palmeiras Bravas/The Current Situation de Pedro Barateiro (n. 1979) constituída por trabalhos concebidos especificamente para o efeito. Estes produzem uma observação inquietante do presente estado do mundo onde vivemos.
A estranheza de cada imagem, objeto, filme ou escultura implica um conhecimento associado a uma prática e a uma política com os quais se entrelaçam as comunidades e os atores, que somos nós, num determinado confinamento histórico. Por isso estes trabalhos ocupam uma posição de fronteira, são um local de conflito onde a naturalização das tensões e a mitificação das fantasmagorias se revertem uma na outra para revelar as diferenças que os articulam e se jogam nas diversas narrativas que organizam a exposição.


Pedro Lapa
Diretor artístico e curador da exposição



Um programa reunindo os filmes We Belong to Other People When We're Outside e Feitiço/Spell, realizados por Pedro Barateiro, será apresentado no auditório do museu no dia 14 de fevereiro e repetirá a 14 de março, 18 de abril e 16 de maio, sempre às 16h00.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

lançamento de livro Memorator de Paulo Catrica

Fotografias atuais do TNDM II em diálogo com os registos do incêndio de 1964 , dia 31 janeiro às 17 horas
João Pedro Amaral -fotografia

“O incêndio que destruiu o interior do Teatro Nacional D. Maria II na madrugada de 2 de dezembro de 1964 instiga e coabita o argumento. A reconstrução durou catorze anos, e o ‘novo’ teatro inaugurado em maio de 1978, pelo poder político que emergiu com a Revolução de Abril, é o derradeiro exemplo do ‘historicismo’ arquitectónico que orientou muitas das obras do Estado Novo.

Partindo do presente, de fotografias do teatro realizadas em 2014 e resgatando fotografias históricas a diversos arquivos, em particular ao espólio do fotógrafo José Marques, recentemente adquirido pelo TNDM II, este atlas fotográfico projeta um edifício do ‘novo’ e do ‘outro’ teatro. No entanto, recusa a perspetiva do inventário ou a construção de um resumo, não segue uma cronologia nem mesmo regras de serialização documental. Não pretende nem ilustrar, nem reconstruir o edifício do teatro, o que existe hoje ou o que desapareceu consumido pelo fogo em dezembro de 1964. As fotografias enquanto citações, revelam e confrontam micro‐histórias, de assuntos, factos ou acontecimentos criando uma narrativa historiográfica que interseta e confronta a matriz documental e a hipótese alegórica das fotografias.”

Paulo Catrica





O lançamento do livro Memorator, de Paulo Catrica,  terá lugar no  dia  31 de janeiro, às 17h, no Salão Nobre do TNDM II. A sessão será apresentada pela investigadora em História da Fotografia, Emília Tavares, e contará com a presença do autor e de atores do elenco do espectáculo Macbeth, em cena à data do trágico incêndio  do Teatro. 


Uma edição TNDM II / Bicho do Mato (Coleção “Estudos”), no âmbito do projeto Memória (1964)

Bibli. Press release do evento


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

C.M.L. apresenta ao público o MUSEU DE LISBOA


Museu da Cidade - Palácio Pimenta

Palácio Pimenta + Museu de Santo António + Teatro Romano + Casa dos Bicos + Torreão Poente (do Terreiro do Paço) = MUSEU DE LISBOA. São cinco os núcleos do MUSEU DE LISBOA, disseminados pela cidade e que no sábado, 31 de Janeiro, é apresentado ao público.
A cerimónia decorre no Palácio Pimenta, precisamente um dos cinco polos do MUSEU DE LISBOA,  às 17h.

Resultado da reformulação programática do Museu da Cidade, que a Câmara Municipal de Lisboa tem vindo a proceder, através do Pelouro da Cultura, o MUSEU DE LISBOA tem também a partir de agora a sua marca própria que será divulgada na mesma ocasião.

MUSEU DE LISBOA no seu todo e com as suas partes (os seus 5 núcleos) pretende vir a ser um museu de cidade contemporâneo e uma referência na vida dos lisboetas e de quem nos visita. Mais do que espelho da história da Cidade de Lisboa, o MUSEU DE LISBOA já é, e será mais ainda, um conjunto de espaços museológicos onde se aprende Lisboa, onde se debate Lisboa e as suas vivências e onde se perspetiva o seu futuro.

Assim, neste mesmo sábado 31 é inaugurada no núcleo MUSEU DE LISBOA/ Palácio Pimenta a exposição temporária Varinas de Lisboa – Memórias da Cidade que ali ficará patente até 24 Maio 2015. Das comunidades regionais que na capital assentaram nenhuma foi tão marcante como a varina. Proveniente do litoral do distrito de Aveiro, de Ovar lhe advém o nome.


Bibli. Press release 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Ciclo 'As escolhas dos críticos' - Museu Colecção Berardo






A sexta visita do ciclo As escolhas dos críticos é orientada por Delfim Sardo, professor, curador e crítico de arte, e decorrerá no sábado, dia 31 de janeiro, às 16h00. Esta visita é dedicada à obra Boîte (Série C) de Marcel Duchamp. A participação é gratuita, mas é necessária inscrição prévia.



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

'TRAÇO CONTÍNUO' - DOMINGOS REGO E CECÍLIA COSTA

 Galeria João Esteves de Oliveira - inauguração dia 29 de janeiro às 19 horas


Traço Contínuo
Desenhos de Domingos Rego e Cecília Costa em diálogo

Domingos Rego

Dando sequência aos trabalhos anteriormente apresentados na Galeria João Esteves de Oliveira, exponho um conjunto de trabalhos recentes que aprofundam e expandem temáticas reveladas anteriormente. São desenhos que suscitam uma reflexão sobre as relações físicas com o espaço construído e com a natureza. O espaço é aqui apresentado como pretexto de relação háptica e holística com o real, como se as casas de Richard Neutra, que estão presentes num dos painéis da exposição, reivindicassem o tacto e a memória para serem percebidas, e os planos de cor que cortam as composições funcionassem como cortinas que se abrem ou se fecham para uma realidade em que a natureza envolve, cruza e faz parte do edificado.
A matéria joga um papel importante na sugestão táctil destes desenhos, adensando-se ou diluindo-se, aplicada com espátulas, ou soprada à maneira das “figuras de sopro” surrealistas, aceitando o acaso e perseguindo seus “acidentes favoráveis”, como Jean Dubuffet gostava de os designar.
As composições abstractas que evocam escadas e elementos arquitectónicos lembramos a importância de um deambular atento que envolva todos os sentidos. As escadas não são só a possibilidade de elevação ou descida, são a prova da necessidade de atenção, estruturas arquitectónicas que pontuam a história da arte: das escadas labirínticas de Piranesi, às estruturas impossíveis de Escher, das escadas livres de Beuys e Louise Bourgeois, ao Nu descendo as escadas, de Duchamp. E, num plano mais simbólico, a escada de Dürer, na Melancolia I, ou, na arte do nosso tempo, as escadas nas obras de Anselm Kiefer.  E se as escadas evocam essa possibilidade de deslocação entre planos, e uma certa ideia de duração (Bergson), a janela é a estrutura arquetípica da contemplação, a metáfora tantas vezes reinventada do desenhos e da pintura. 
A natureza adquire uma particular relevância nos desenhos de flores e de frutos, que surgem, muitas vezes, em espaços obscurecidos, fundos negros que sugerem o acto de desenhar no escuro, para, mais uma vez, suscitarem a noção de atenção associada ao desenho.
Traço contínuo representa, pois, o rastro que fica dessa relação especial que estabelecemos com o real através do desenho. Derrida assinalou de forma exemplar, em Memórias de Cego, essa particular forma de nos relacionarmos com o mundo, “uma espécie de sinergia que coordena as possibilidades de ver, de tocar, de mover. E de ouvir e entender porque são já palavras de cego que eu assim desenho.” i

Cecília Costa

Desde o início, a obra de Cecília Costa tem lidado com os acertos e os enganos do olhar, com as diferenças e pormenores escondidos que exigem ponderação, com os jogos subtis que demandam a participação do espectador. Esses aspectos são reconhecíveis nas fotografias e nas instalações que põem em jogo dispositivos sonoros, visuais e escultóricos.
Formuladas de um outro modo, as questões que referimos colocam-se nos desenhos. Também nesta área, uma reflexão sobre o ver nos é proposta. As linhas adquirem um corpo, surgem como que segregadas pelas representações, estabelecendo itinerários improváveis entre os olhos e as mãos, ganhando a consistência que transforma o olhar em ver, extravasando os limites da composição e depositando-se fora de campo.
A linha adquire várias qualidades: de fio de Ariadne que nos permite regressar a território conhecido, à linha do tecido de Penélope, cuidadosamente urdido durante o dia e desfeito durante a noite, prolongando até ao absurdo um desfecho que não se deseja. A linha é a manifestação plástica essencial do desenho, a fronteira que circunscreve e delimita, o traço que liga o pensamento, a visão e a expressão.
Nos trabalhos em presença, as linhas desenham-se no espaço provocando tensões, lidando com o vazio da página e tornando-o entidade tangível, lugar de encenação dos limites e potencialidades do próprio corpo. A luz branca da página, de tão intensa, devora partes das cenas, mas, e apesar de tudo, as linhas resistem e, por vezes, geram volumes por acumulação, materializando de forma exemplar a ligação que acontece entre o visto, o representado, e o gesto que lhe dá forma.

Azeitão, 11 de Janeiro de 2015
Domingos Rego