quarta-feira, 21 de outubro de 2015

“Interregnum” de Stan Douglas

Museu Coleção Berardo 


Stan Douglas, The Secret Agent, 2015. Cortesia do artista, da galeria David Zwirner, Nova Iorque e Londres, e da galeria Victoria Miro, Londres.


Nesta exposição é estreada a obra The Secret Agent filmada em Lisboa e que aborda a situação histórica vivida em 1975 a partir de uma adaptação da novela homónima de Joseph Conrad. A exposição integra ainda outras obras recentes de Stan Douglas, artista canadiano nascido em 1960, que reencenam aspetos políticos e culturais relacionados com o mesmo período histórico do final do colonialismo e da emergência de uma nova ordem global: Disco Angola (2012) e Luanda-Kinshasa (2013), que desenvolvem estas questões, foram realizadas no curso da investigação que o artista levou a cabo sobre a transformação da realidade portuguesa na década de 1970 e a emergência de uma nova ordem global. Neste sentido, tanto os testemunhos associados aos factos referenciados, como o historial da sua posterior reflexão historiográfica ou artística, a par do vasto material documental, sobretudo fotográfico, constituíram as principais fontes.

A exposição pode ser visitada gratuitamente até ao dia 14 de fevereiro no piso -1 do museu. Durante a exposição, o público é convidado a participar num programa de atividades e de conversas que serão atempadamente anunciadas.

Por ocasião da exposição, o Museu Coleção Berardo publica o livro História e Interregnum. Três Obras de Stan Douglas, dando à estampa um extenso ensaio de Pedro Lapa, diretor artístico do museu e curador desta exposição, que analisa a «trilogia» de obras de Stan Douglas. Para além da versão portuguesa, o livro existe ainda em inglês, numa parceria entre o museu e a Archive Books de Berlim, que assegura a distribuição internacional.

Apoio à exposição: Stan Douglas studio, galeria David Zwirner e galeria Victoria Miro.

Bibli. Press release da exposição

terça-feira, 20 de outubro de 2015

HELENA ALMEIDA : A MINHA OBRA É O MEU CORPO, O MEU CORPO É A MINHA OBRA

Museu de Serralves até a 10 janeiro de 2016


Imagem: Helena Almeida, Saída negra [Black Exit], 1995 (pormenor). 5 Fotografias p/b. 71 x 48 cm (cada). Col. Norlinda e José Lima, em depósito no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory. Fotografia: Aníbal Lemos, cortesia Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory
Esta exposição dedicada à obra da conceituada artista portuguesa Helena Almeida (Lisboa, 1934), examina o seu trabalho de pintura, fotografia, vídeo e desenho ao longo de quase cinco décadas. A exposição salientará a importância do corpo – que regista, ocupa e define o espaço – e o seu encontro performativo com o mundo nas obras realizadas pela artista de meados dos anos 1960 até à atualidade. Além das pinturas "habitadas” e das series fotográficas pelas quais é mais conhecida, serão mostradas na exposição obras raramente exibidas ao longo da sua carreira artística. Por meio da sua pintura abstrata inicial, Helena Almeida introduz as preocupações centrais que definem a sua prática artística numa diversidade de disciplinas, nomeadamente o interesse em ultrapassar os limites do espaço pictórico e narrativo que sempre desempenhou um papel fundamental na obra da artista. Como Helena Almeida afirma: "A minha pintura é o meu corpo, a minha obra é o meu corpo”. 

Por ocasião da exposição será publicado um catálogo (com edições em português, inglês e francês. O processo de trabalho da artista e o lugar da sua obra no contexto da arte portuguesa e das práticas artísticas feministas e performativas dos anos 1970 e das décadas subsequentes serão explorados nos ensaios inéditos de Peggy Phelan (Professora de Teatro e Performance e Inglês da Universidade Stanford), Connie Buttler (Curadora Chefe do Hammer Museum da Universidade de Los Angeles) e de Bernardo Pinto de Almeida (historiador e crítico de arte, Professor Catedrático na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto) e numa entrevista com a artista conduzida pelos curadores da exposição, João Ribas e Marta Moreira de Almeida.

"Helena Almeida” é comissariada por João Ribas, Diretor Adjunto e Curador Sénior, e Marta Moreira de Almeida, curadora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves. 

A exposição viajará até ao Jeu de Paume em Paris (primavera de 2016) e o Wiels, Centre d’art contemporain, em Bruxelas (outono de 2016). 


Bibli. Press release da exposição


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

João Penalva no Porto

Até 29 de novembro no Palácio dos Correios
10h-18h, terça a domingo
Entrada livre


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Palácio Vila Flor e Centro Internacional das Artes José de Guimarães

novas exposições a partir de 17 de outubro


PAULO MENDES ,  S DE SAUDADE

17 de outubro é dia de mais uma inauguração conjunta em Guimarães. O programa terá início às 16h30, no Palácio Vila Flor, onde Paulo Mendes apresentará uma antologia das obras da série “S de Saudade” iniciada em 2007. O trabalho de Paulo Mendes especula sobre o desassossego de uma presença post-mortem. No propósito de questionamento crítico sobre os efeitos traumáticos de um regime, o artista junta diferentes elementos visuais, numa disposição visionária e parcelar, reativando o que historicamente sucumbiu à vulgaridade e indiferença.
 
O “Senhor S”, protagonista da exposição, surge como reabilitação iconoclasta do Homem sem Qualidades, de Robert Musil. A falta de legitimidade humanista que traça o percurso histórico do ditador faz soçobrar a sua imagem no abismo enigmático; sombra esfíngica e patológica, reflexo especular, aparência sintomática, interpela o observador que, pelo reconhecimento do outro se reconhece neste diálogo interior. A silhueta esquiva, difusa e sinuosa do “Senhor S” erra no amontoado de artefactos, preservados no sótão das memórias recalcadas; silenciosa, quase inerte, contempla, de forma panótica, os medos, angústias, incertezas, debilidades e inseguranças, desdenhando o perigo, ambivalência ou relatividade de opiniões, argumentos e ideologias.
 
A exposição sugere um espaço fechado, durante décadas selado, no qual o “Senhor S” emerge como repositório de atos cruéis. Misturados com as peças, os objetos de uso comum, abandonados, esquecidos e dispostos ao acaso, evocam a paisagem cultural da personagem fantasmática; constituindo um peculiar sistema de sinais, que põe a nu o jogo semântico entre objetos e elementos visuais, aos quais um código intuitivo extralinguístico atribui uma espécie de “iluminação” historicista e ficcional. Assim, a cada significado correspondem múltiplas hipóteses de iluminação, pelas evocações, alusões, simulações imaginosas na cor ou fragrância de um pensamento.

INQUÉRITOS, Pastores com carroça, capucha e cão lobeiro, Cinfães, Gralheira, 1955 ©Ordem dos Arquitectos


Às 19h00, é a vez do Centro Internacional das Artes José de Guimarães inaugurar a segunda grande exposição coletiva do ano, “Os Inquéritos [à Fotografia e ao Território]: Paisagem e Povoamento”, projeto que aborda e tematiza o papel da fotografia no mapeamento, documentação e construção pela imagem do território português.
 
Tendo como ponto de partida a expedição à Serra da Estrela, realizada sob a égide da Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, que contou com a colaboração de Martins Sarmento, e o trabalho pioneiro e menos conhecido de Carlos Relvas sobre uma considerável porção do território português, a exposição reúne um conjunto de inquéritos ao território em que a fotografia (e em alguns casos o filme) assume particular relevância – desde o levantamento contínuo de Orlando Ribeiro, iniciado ainda na década de 1930, passando pelo “Inquérito à Arquitectura Regional”, realizado na primeira metade de 1950 e pelas recolhas do grupo de etnólogos formados e liderados por Jorge Dias no âmbito do Centro de Estudos de Etnologia, sistematizadas a partir da década de 1950 até ao princípio de 1980, revisitando as peças em que Alberto Carneiro recorre sistematicamente à fotografia, entre 1973 e o princípio dos anos 1980, até aos levantamentos mais recentes, de Duarte Belo (Horizonte Portugal, O Sabor da Terra, Portugal, Luz e Sombra, etc.), Luís Pavão (Serras do Caldeirão e de Monchique) ou Álvaro Domingues (A rua da estrada, A vida no campo), André Príncipe (Campo de flamingos sem flamingos) ou Daniel Blaufuks (Um pouco mais pequeno que o Indiana), Nuno Cera e Diogo Seixas Lopes (Cimêncio), Paulo Catrica, Valter Vinagre, Jorge Graça, Álvaro Teixeira, Pedro Tropa, Carlos Lobo e Eduardo Brito, ou ainda, Duas Linhas e Sete Círculos. 
 
Pondo lado a lado um amplo conjunto de imagens, documentos e publicações, alguns deles não antes vistos em contexto museológico, esta exposição oferece-nos uma miríade de retratos do território português, tão diversos quanto fascinantes, que nos induzem a uma reflexão sobre nós mesmos e o lugar em que nos foi dado viver. 
 
Para além da exposição “Os Inquéritos [à Fotografia e ao Território]: Paisagem e Povoamento”, que ocupará a totalidade das salas reservadas às exposições temporárias, recordamos que poderá também (re)visitar a coleção permanente e outras obras patente no piso 1 do CIAJG. Esta exposição sofreu uma remontagem no mês de julho com a apresentação da obra de Pedro Valdez Cardoso, “Ártico: narrativa e fantasmática”, que reúne uma instalação e um alargado conjunto de desenhos que estabelecem um diálogo com a prática arqueológica. Estas novas propostas juntaram-se aos ex-libris da coleção que continuam em exposição, nomeadamente o tão apreciado e visitado núcleo As Magias, que reúne um alargado conjunto de máscaras africanas.

Bibli. Press release da exposição



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Encarnação – exposição de José Rufino

Curadoria – Maria de Fátima Lambert





Palácio das Artes 
 Largo São Domingos 19, 4050-265 Porto

29 setembro a 28 outubro 2015

Horário: 3ªf a 6ªf das 10h às 18h | Sábado das 14h às 18h



No âmbito das Comemorações dos 30 anos do Politécnico do Porto, algumas atividades desenvolvidas no contexto de projetos de investigação inED (Centro de Investigação e Intervenção em Educação da Escola Superior de Educação) foram incorporadas à programação do eixo cultural.
A residência artística de José Rufino tomou, desde as primeiras conversas, rumos latinos de “Encarnação”. Sob auspícios complexos e ricos, implícitos em definições criteriosas, quer em termos semânticos, quer iconográficos, Encarnatio converteu-se em Encarnação. Convoca a disciplina de diferentes axiologias, não somente a artística e estética, também a filosófica, histórica, antropológica…entre outras cumplicidades científicas. A exposição ocupa todas as salas do Palácio das Artes, em tempos idos, Convento de São Domingos (construído no séc. XIII), tendo sofrido vicissitudes e acolhido, posteriormente e até 1934, o Banco de Portugal na cidade. A carga arquitetónica propicia devaneios que acolhem impulsos de restituição a materiais tidos como obsoletos ou descartáveis, regimentando imagens e peças que o artista interfere e transfigura mediante ação de desenho, pintura, solicitando tridimensionalidades pensadas para este lugar que é todos os lugares “en-carnados”...in situ. As peças desenham-se e alastram, observando uma espécie de peregrinação pelos espaços adentro. Surpreendentes, as obras concebidas até ao ínfimo detalhe, evocam caminhos de identidade própria e de alteridade, denotando e demonstrativas dos itinerários decididos pelo artista brasileiro em Portugal e na Galiza. As viagens são parte integrante do processo criativo desenvolvido nesta oportunidade, instituindo-se como substância fundante e direcionadora das intervenções aplicadas. Os atos de percorrer, as caminhadas em estado de deriva orientada, atingiram cidades que lhe eram estranhas, conjugando-se em perplexidade e festa. A missão estética empreendida e adjacente à peregrinatio conduziu José Rufino numa celebração altruísta, autognósica e societária, na senda de José de Arimatéia ou de Francisco de Assis, destino a Santiago (mítico e efetivo) e retorno ao Porto antes de regresso à Paraíba.
Para cumprir o processo criativo, o artista estabeleceu contatos com artistas, investigadores, professores e estudantes, cumprindo o dinamismo poiético e ativando mais e mais pensamento crítico multidisciplinar - exigência e rigor extremos. O artista trabalha memórias, memórias ideológicas e históricas desenhando, pintando, projetando instalações onde os objetos e as esculturas dialogam em prol dessa convergência heterodoxa de motivações e ideias substantivas. 



Desde os anos 1980 que José Rufino apresenta as suas obras, tendo realizado cerca de 200 exposições. No projeto agora desenvolvido em Portugal, o artista confronta-se com matérias e reminiscências daquilo que, à distância, eram ainda e somente “lampejos imaginados de suas memórias profundas”. Estes exigiram ser criados para um desocultamento das raízes históricas de Portugal, enquanto país que estimulou e ramificou em fantasias, mitemas, derivações literárias, plásticas denotativas de forte simbolismo. Assim, também para além da analogia à Encarnação - em que o Verbo tomou carne para ser identificar enquanto indivíduo pessoal e humano, haverá que agregar outras aceções, como esse dom da pele que é consciência transfiguradora do eu, sobre a aparência preenchida pelo magma visceral. Aqui, perante a criação de José Rufino, estreitam-se os laços entre as vertentes que retrocedem até às estéticas medievais, expandindo-se na maior atualidade refletida e comprometida com a sociedade.

Maria de Fátima Lambert



José Rufino vive e trabalha em João Pessoa, Paraíba. Artista e escritor, é também professor de Arte nas universidades Federais da Paraíba e Pernambuco. Saiba mais em  http://www.joserufino.com/site/biografia/


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Paulo Nozolino - Make do

Make do , Paulo Nozolino

Make do é o título da exposição que Paulo Nozolino inaugura na Galeria Quadrado Azul, em Lisboa, no dia 1 de Outubro pelas 22H.

Não há acasos no trabalho de Paulo Nozolino. Nem mesmo num trabalho onde o sujeito do seu olhar é única e exclusivamente a mulher. Corpo de imagens consistente, “Make do evolui de 1974 a 2013 e traduz uma trajetória crescente na dramatização de momentos e encontros, acompanhando a maturidade do artista e a definição do seu posicionamento no universo da fotografia.


Abrindo caminho para critérios ideológicos fortes, desvendam-se aqui marcas visuais precisas a delinear convicções pessoais e políticas. Nada é ficção.  Enigmáticas, crípticas, sensuais, agressivas, belas, todas as fotografias agora reunidas gritam vida e eternidade num discurso banhado por uma perturbadora e inquietante serenidade.    


A exposição estará patente até 24 de Dezembro.

Bibli. Press release da exposição






sexta-feira, 13 de março de 2015

" Caminhos ... " de António Carmo

Partida e Chegada 2013 100x100

na Biblioteca de Gaia até 30 de março


Aquele Anjo 2012 100x100





Encontro e Azulejos 2013 100x100.