quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Encarnação – exposição de José Rufino

Curadoria – Maria de Fátima Lambert





Palácio das Artes 
 Largo São Domingos 19, 4050-265 Porto

29 setembro a 28 outubro 2015

Horário: 3ªf a 6ªf das 10h às 18h | Sábado das 14h às 18h



No âmbito das Comemorações dos 30 anos do Politécnico do Porto, algumas atividades desenvolvidas no contexto de projetos de investigação inED (Centro de Investigação e Intervenção em Educação da Escola Superior de Educação) foram incorporadas à programação do eixo cultural.
A residência artística de José Rufino tomou, desde as primeiras conversas, rumos latinos de “Encarnação”. Sob auspícios complexos e ricos, implícitos em definições criteriosas, quer em termos semânticos, quer iconográficos, Encarnatio converteu-se em Encarnação. Convoca a disciplina de diferentes axiologias, não somente a artística e estética, também a filosófica, histórica, antropológica…entre outras cumplicidades científicas. A exposição ocupa todas as salas do Palácio das Artes, em tempos idos, Convento de São Domingos (construído no séc. XIII), tendo sofrido vicissitudes e acolhido, posteriormente e até 1934, o Banco de Portugal na cidade. A carga arquitetónica propicia devaneios que acolhem impulsos de restituição a materiais tidos como obsoletos ou descartáveis, regimentando imagens e peças que o artista interfere e transfigura mediante ação de desenho, pintura, solicitando tridimensionalidades pensadas para este lugar que é todos os lugares “en-carnados”...in situ. As peças desenham-se e alastram, observando uma espécie de peregrinação pelos espaços adentro. Surpreendentes, as obras concebidas até ao ínfimo detalhe, evocam caminhos de identidade própria e de alteridade, denotando e demonstrativas dos itinerários decididos pelo artista brasileiro em Portugal e na Galiza. As viagens são parte integrante do processo criativo desenvolvido nesta oportunidade, instituindo-se como substância fundante e direcionadora das intervenções aplicadas. Os atos de percorrer, as caminhadas em estado de deriva orientada, atingiram cidades que lhe eram estranhas, conjugando-se em perplexidade e festa. A missão estética empreendida e adjacente à peregrinatio conduziu José Rufino numa celebração altruísta, autognósica e societária, na senda de José de Arimatéia ou de Francisco de Assis, destino a Santiago (mítico e efetivo) e retorno ao Porto antes de regresso à Paraíba.
Para cumprir o processo criativo, o artista estabeleceu contatos com artistas, investigadores, professores e estudantes, cumprindo o dinamismo poiético e ativando mais e mais pensamento crítico multidisciplinar - exigência e rigor extremos. O artista trabalha memórias, memórias ideológicas e históricas desenhando, pintando, projetando instalações onde os objetos e as esculturas dialogam em prol dessa convergência heterodoxa de motivações e ideias substantivas. 



Desde os anos 1980 que José Rufino apresenta as suas obras, tendo realizado cerca de 200 exposições. No projeto agora desenvolvido em Portugal, o artista confronta-se com matérias e reminiscências daquilo que, à distância, eram ainda e somente “lampejos imaginados de suas memórias profundas”. Estes exigiram ser criados para um desocultamento das raízes históricas de Portugal, enquanto país que estimulou e ramificou em fantasias, mitemas, derivações literárias, plásticas denotativas de forte simbolismo. Assim, também para além da analogia à Encarnação - em que o Verbo tomou carne para ser identificar enquanto indivíduo pessoal e humano, haverá que agregar outras aceções, como esse dom da pele que é consciência transfiguradora do eu, sobre a aparência preenchida pelo magma visceral. Aqui, perante a criação de José Rufino, estreitam-se os laços entre as vertentes que retrocedem até às estéticas medievais, expandindo-se na maior atualidade refletida e comprometida com a sociedade.

Maria de Fátima Lambert



José Rufino vive e trabalha em João Pessoa, Paraíba. Artista e escritor, é também professor de Arte nas universidades Federais da Paraíba e Pernambuco. Saiba mais em  http://www.joserufino.com/site/biografia/


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Paulo Nozolino - Make do

Make do , Paulo Nozolino

Make do é o título da exposição que Paulo Nozolino inaugura na Galeria Quadrado Azul, em Lisboa, no dia 1 de Outubro pelas 22H.

Não há acasos no trabalho de Paulo Nozolino. Nem mesmo num trabalho onde o sujeito do seu olhar é única e exclusivamente a mulher. Corpo de imagens consistente, “Make do evolui de 1974 a 2013 e traduz uma trajetória crescente na dramatização de momentos e encontros, acompanhando a maturidade do artista e a definição do seu posicionamento no universo da fotografia.


Abrindo caminho para critérios ideológicos fortes, desvendam-se aqui marcas visuais precisas a delinear convicções pessoais e políticas. Nada é ficção.  Enigmáticas, crípticas, sensuais, agressivas, belas, todas as fotografias agora reunidas gritam vida e eternidade num discurso banhado por uma perturbadora e inquietante serenidade.    


A exposição estará patente até 24 de Dezembro.

Bibli. Press release da exposição






sexta-feira, 13 de março de 2015

" Caminhos ... " de António Carmo

Partida e Chegada 2013 100x100

na Biblioteca de Gaia até 30 de março


Aquele Anjo 2012 100x100





Encontro e Azulejos 2013 100x100.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

ÂNGELA FERREIRA | AYRSON HERÁCLITO | EDSON CHAGAS

NOVO BANCO e Museu Coleção Berardo anunciam os artistas selecionados para o NOVO BANCO Photo 2015
Independance ChaCha 2014. LumiarCite¦ü_Angela Ferreira-2200


NOVO BANCO e o Museu Coleção Berardo anunciam os três artistas selecionados para a edição de 2015 do Prémio NOVO BANCO Photo, o mais importante prémio de arte contemporânea realizado em Portugal - Ângela Ferreira (Lisboa), Ayrson Heráclito (Salvador da Baía) e Edson Chagas (Luanda).

O NOVO BANCO mantém, desta forma, a sua aposta de mecenato cultural na área da fotografia, dando continuidade ao formato e ao valor pecuniário do prémio, bem como os pressupostos de internacionalização por via da seleção dos artistas, que podem ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

O critério de seleção dos artistas requer que estes tenham efetuado uma exposição de obras em suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante 2014.

A escolha destes artistas foi da responsabilidade de um júri de seleção representativo do triângulo geográfico referido, composto por Luís Silva (Lisboa), fundador e diretor da Kunsthalle Lissabon; Adriano Pedrosa (São Paulo), diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo; e Bisi Silva (Lagos), fundadora e diretora do Centre for Contemporary Art, em Lagos, que analisaram o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio (2014).

Independance ChaCha , 2014. LumiarCite¦ü_Angela Ferreira
Ângela Ferreira foi nomeada pelo júri «pela sua exposição individual Indépendance Cha Cha, apresentada em 2014 na galeria Lumiar Cité em Lisboa. Esta exposição surge como uma continuação do projeto que a artista desenvolveu para a Bienal de Lubumbashi, justapondo uma forma escultórica reminiscente da arquitetura colonial do centro de Lubumbashi e dois vídeos. Um dos vídeos documenta uma performance, apresentada na bienal, que lida com narrativas de trabalho forçado nas minas daquela zona; o outro mostra a interpretação de Indépendance Cha Cha, um hino emblemático dos movimentos independentistas da África francófona na década de 1960.»

Na opinião do júri, Edson Chagas, no seu trabalho, «usa o contexto urbano de cidades como Luanda, Londres ou Newport como cenário para criar um “arquivo” de objetos banais. O seu interesse centra-se em captar a forma como os objetos abandonados, dispersos pela cidade, oferecem um olhar sobre os hábitos de consumo de um determinado local. Ao fotografar estes objetos, por vezes movendo-os para criar a sua própria composição, o artista cria uma relação entre o objeto e o contexto, entre uma ideia e a realidade. Edson Chagas foi nomeado para o NOVO BANCO Photo 2015 pela exposição Luanda, Encyclopedic City, em representação de Angola na 55.ª Bienal de Veneza (2013), onde conquistou o Leão de Ouro pela melhor participação nacional, bem como pela sua exposição individual na galeria Belfast Exposed Photography (2014), onde apresentou a série em curso Found Not Taken

Found Not Taken, Londres, 2008 ©Edson Chagas

Para o júri, Ayrson Heráclito na sua obra «investiga as ricas relações entre África e o Brasil, explorando as ligações políticas, sociais e culturais entre estes dois territórios, demonstrando um interesse especial na história da escravatura e nas religiões afro-brasileiras, de uma perspetiva privilegiada: Salvador, Bahia, a capital do Brasil africano, onde vive e trabalha. O vídeo e a fotografia são os principais suportes utilizados pelo artista, que também recorre a instalações e outros media. No ano passado, Ayrson Heráclito participou em várias exposições, onde apresentou trabalhos como Segredos Internos (1999-2009) em Do Valongo à Favela (Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro), Múltiplo II em Histórias Mestiças (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo) e o vídeo Barrueco (2004) em Memórias Inapagáveis (VideoBrasil, SESC Pompeia, São Paulo).»

Bori- Oxum_Ayrson Heraclito
Os artistas selecionados apresentarão os seus trabalhos no Museu Coleção Berardo, numa exposição composta por obras inéditas, com inauguração agendada para o dia 17 de junho, sendo o vencedor conhecido durante o mês de setembro, em data a anunciar.

Pedro Lapa, presidente do júri do prémio NOVO BANCO Photo e diretor artístico do Museu Coleção Berardo, salienta que «No curso das últimas edições do prémio foi possível constituir uma rede própria de conhecimento, circulação e premiação de artistas lusófonos. Todos os países envolvidos tiveram contacto com as práticas artísticas no domínio fotográfico dos seus parceiros, que muitas vezes desconheciam. O prémio tem sido, por isso, um relevante contributo para o aprofundamento desta rede lusófona, que importa salvaguardar num mundo cada vez mais globalizado, onde novas articulações se definem. A continuidade e perseverança destes processos é chave para a sua concretização efetiva. A renovada aposta por parte do Novo Banco é um motivo de louvor e grande satisfação para o Museu Coleção Berardo e para todos os que acreditam na sua pertinência.»

Bibli. Press release

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Palmeiras Bravas/The Current Situation de Pedro Barateiro

Inaugura dia 11 de fevereiro, quarta-feira, às 19h00 - Museu Coleção Berardo



The Current Situation (Prologue), 2015. Video still. Cortesia do artista e da  Galeria Filomena Soares.


O Museu Coleção Berardo apresenta a exposição Palmeiras Bravas/The Current Situation de Pedro Barateiro (n. 1979) constituída por trabalhos concebidos especificamente para o efeito. Estes produzem uma observação inquietante do presente estado do mundo onde vivemos.
A estranheza de cada imagem, objeto, filme ou escultura implica um conhecimento associado a uma prática e a uma política com os quais se entrelaçam as comunidades e os atores, que somos nós, num determinado confinamento histórico. Por isso estes trabalhos ocupam uma posição de fronteira, são um local de conflito onde a naturalização das tensões e a mitificação das fantasmagorias se revertem uma na outra para revelar as diferenças que os articulam e se jogam nas diversas narrativas que organizam a exposição.


Pedro Lapa
Diretor artístico e curador da exposição



Um programa reunindo os filmes We Belong to Other People When We're Outside e Feitiço/Spell, realizados por Pedro Barateiro, será apresentado no auditório do museu no dia 14 de fevereiro e repetirá a 14 de março, 18 de abril e 16 de maio, sempre às 16h00.